Pílula Farmacêutica #37: PrEP – um comprimido por dia impede a ação do HIV antes do contato com o vírus

Nesta edição do Pílula Farmacêutica, a acadêmica Kimberly Fuzel, orientanda da professora Regina Andrade da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, fala sobre a PrEP, Profilaxia Pré-Exposição ao HIV. Conta que a PrEP é um método de prevenir a Aids, obtida com a ingestão diária de um comprimido, que impede a ação do HIV antes do contato com o vírus.

A estratégia foi adotada pelo Ministério da Saúde brasileiro, no início de 2018, para diminuir a taxa de infectados que, ainda hoje, está em um indivíduo infectado pelo HIV a cada 15 minutos. A medicação, adianta Kimberly, é a “combinação de duas drogas, o tenofovir e a entricitabina, que bloqueia alguns caminhos que o vírus usa para infectar o organismo”.

Mas o remédio precisa ser tomado diariamente para que a quantidade do medicamento na corrente sanguínea seja suficiente para bloquear a ação do vírus. Segundo a acadêmica, a PrEP só começa a fazer efeito após sete dias de uso diário, para o caso de relação sexual anal, e após 20 dias, para a vaginal. Alerta que a proteção não vale para outras infecções sexualmente transmissíveis que não dispensam as formas convencionais de prevenção, como o uso da camisinha.

Outro senão é que a PrEP não está disponível para todos na rede pública de saúde, que só destina o tratamento para aqueles com maiores riscos de infecção pelo HIV, “como os casais sorodiferentes, homens que fazem sexo com homens, gays, pessoas trans e também para para trabalhadores do sexo”, diz Kimberly, lembrando que também não basta fazer parte desses grupos e não ter indicação médica para usar a PrEP.

O tratamento preventivo é seguro, conta a acadêmica, mas pode apresentar efeitos colaterais como dor no estômago, perda de apetite e dor de cabeça. Apesar de não oferecer nenhum efeito adverso grave, somente o médico pode avaliar os casos que em os sintomas persistirem.

Kimberly orienta que seja consultado um profissional de saúde para saber se a PrEP é a melhor escolha para o caso. Se estiver usando a PrEP, “é importante fazer visitas regulares ao serviço de saúde, realizar exames para acompanhar se o organismo está reagindo bem aos medicamentos e também buscar os medicamentos a cada três meses”. O SUS disponibiliza os tratamentos.

Fonte: https://jornal.usp.br/podcast/pilula-farmaceutica-37-prep-um-comprimido-por-dia-impede-a-acao-do-hiv-antes-do-contato-com-o-virus/

Bactéria causadora da gonorreia está mais resistente a medicamentos

A Neisseria gonorrhoeae é uma bactéria conhecida por causar a uretrite, infecção na uretra que pode ser percebida por causar gotejamento, secreção na uretra espessa, entre outros sintomas . É transmitida pelo contato sexual e possui afinidade por mucosa, podendo estar presente no colo do útero ou no externo do trato genital masculino. Os contatos sexuais oral e anal também podem transmitir a DST. A bactéria pode estar presente na garganta de maneira assintomática ou causando desconforto e alteração na fala, ou também na mucosa retal, causando sensação de coceira ou de “puxo”, inflamação que atribui a vontade de evacuar com frequência.

Tal bactéria, assim como outras, está criando resistência a medicamentos, o que dificulta o tratamento da infecção. Maria Cláudia Stockler, médica assistente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que a evolução tem relação direta com o uso de antibióticos ao longo dos anos.

Deve-se evitar o uso indiscriminado de antimicrobianos e procurar utilizá-los apenas quando recomendados pelo médico. Com isso, será possível realizar o tratamento adequado no tempo correto. A infectologista comenta também que todas as doenças sexualmente transmissíveis têm relação, então, a aparição de uma deve ser um alerta para o futuro surgimento de outras. Devido a mudanças observadas ao longo do tempo, pessoas estão encontrando parceiros sexuais mais facilmente e, algumas vezes, mesmo em relacionamentos estáveis, estão abertas a se relacionar com outras. Tal situação pode ser um intensificador do surgimento de DST’s.

A prevenção faz parte do amadurecimento sexual e muitas vezes não está junto à prática. Orientar os adolescentes, a população vulnerável e ter uma política de saúde que consiga chegar a todos, transmitindo a prática de prevenção, como o uso de preservativos e tratamento precoce, devem ser atitudes difundidas, para que a população mantenha uma vida sexual saudável.

Fonte: https://jornal.usp.br/atualidades/bacteria-causadora-da-gonorreia-esta-mais-resistente-a-medicamentos/

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